Teaser 1

 A fotografia enquanto arte de fixar imagens em superfícies bidimensionais, através de instrumentos óticos (câmaras fotográficas) está a morrer tal como já desapareceram (ou têm apenas uma pequeníssima expressão) técnicas de produção de imagens outrora vulgares. É paradoxal que esta agonia aconteça precisamente quando as câmaras fotográficas existem numa proporção média de 4 para cada habitante humano. É esta “sobrepopulação” a causa principal para esta extinção. Tal como vivemos mergulhados no ar, agora, também estamos imersos em imagens e por isso já não lhes reconhecemos o sabor, o cheiro e a cor.

É neste contexto (adverso), que me proponho publicar em livro e expor um conjunto de fotografias, porque posso e gosto de correr nas margens em direção à nascente.

Hoje trago uma história sobre esta fotografia que faz parte do livro e da exposição:

A fotografia foi obtida com a câmara do meu smartphone, na Rua de Ermesinde em novembro de 2025. Hoje, o aspeto daquela janela já está muito diferente (se passarem por lá, fotografem-na e enviem para cá).

Em fevereiro, submeti esta fotografia ao Gemini e pedi para que “ele” fizesse uma descrição detalhada da imagem. O resultado foi o seguinte texto:

“A imagem é um plano aproximado e frontal de uma pequena janela retangular, inserida numa parede de pedra rústica e texturada.

Tem os seguintes elementos principais:

A janela está quase totalmente obstruída por uma folha de material branco flexível provavelmente papel grosso, que se encontra curvada e visivelmente degradada. Esta folha apresenta manchas extensas de humidade ou sujidade em tons de castanho e cinzento, criando um padrão que remete para uma paisagem montanhosa abstrata.

No centro da folha branca, nota-se um pequeno objeto metálico oxidado, possivelmente um prego ou um arame, que parece servir para a fixar ou que resta de uma fixação anterior.

À direita da folha branca, resta uma pequena fresta vertical onde se vislumbra uma superfície escura e texturada, possivelmente um vidro antigo, rede ou o interior sombrio do edifício.

A janela possui uma moldura simples de betão ou cimento cinzento. A parede circundante é feita de pedra irregular, com uma secção à direita coberta de musgo verde vibrante, sugerindo um ambiente húmido e exterior.

Detalhes Adicionais: Na parte inferior do plano, em frente à base da janela, cruzam-se pedaços de arame farpado e vegetação seca e desfocada, reforçando a ideia de um local abandonado ou rural.

A iluminação é natural e direta, incidindo do lado esquerdo, o que realça as texturas ásperas da pedra e as irregularidades da folha que tapa a janela.”

Bastaria recuar uns meses e os resultados desta experiência seriam completamente diferentes. Em 2025 o Gemini era um autêntico Mr. Magoo.

Depois, pedi ao ChatGPT para criar uma imagem com base na descrição feita pelo Gemini. Acrescentei que a imagem deveria ter a proporção 16:9 e o resultado foi o seguinte:


Percebem agora porque digo que a fotografia está a morrer?
(esta história continua no próximo post)

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